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O QUE PASSAMOS A FAZER DEPOIS DO JOÃO? POR QUE?

Passamos a utilizar a mesma metodologia que havia surgido a partir das necessidades de tempo, espaço e da estrutura familiar do caso do João. Porém, como já falamos, as crianças desta vez habitavam na cidade do Rio de Janeiro.

É preciso deixar claro aqui dois pontos: que só atuávamos com crianças portadoras basicamente de sintomatologia negativa e que naquele momento modificamos inteiramente o enfoque e a rotina dos nossos atendimentos, se bem que experimentalmente.

As crianças passaram a ser atendidas pelos pais e o terapeuta acompanhava o desenvolvimento dos bebês em follow-up mensais.

A nossa rotina mensal, durante o primeiro ano de vida, era feita em cinco ou seis sessões de 45 minutos:

1. Entrevista com os pais na presença do bebê:
- novidades do mês
- aquisições do bebê
- dificuldades do bebê e da família
- dúvidas
-
2. Confecção do perfil ( em uma ou duas sessões).

3. Devolução do perfil aos pais e elaboração do plano terapêutico para o mês (sessão sem o bebê)

4. Execução do plano pelo terapeuta

5. Execução do plano pelos pais na presença do terapeuta

Passamos a utilizar este sistema porque queríamos verificar se o desenvolvimento da criança seria melhor do que o daqueles que tinham um tratamento planejado e executado no clínica.

Passamos a utilizar este sistema porque queríamos estudar durante este primeiro ano de vida, o que ocorria, e quais as variáveis novas e ponderáveis que influenciariam no melhor desenvolvimento do bebê, se isto realmente viesse a ocorrer.

Os recursos utilizados nos perfis e nos planos de trabalho continuaram a ter como eixo os mesmos referenciais teórico-práticos que usávamos antes.

O QUE ACONTECEU COM AS CRIANÇAS EM TERMOS DE DESENVOLVIMENTO? POR QUE?

Aconteceu que elas ganharam no seu desenvolvimento. Ganharam consigo mesmas, o que foi verificado através da avaliação formal Escala de Gesell, Evolução Reflexa e Evolução nos Estádios.

Ganharam na sua relação com a mãe e com a família. Ganharam, pelo acompanhamento que fizemos após os primeiros anos de vida, na relação com a comunidade (vizinhos e escola). Ganharam em relação às outras crianças que faziam um atendimento de rotina com os terapeutas no centro.

MAS... POR QUE GANHARAM ?

Vamos recordar um pouco e tentar raciocinar juntos:

Cavanha diz “Para se fazer ciência é preciso experimentar e quem experimenta precisa raciocinar “.

Nós conhecemos o mito de NARCISO.
“Pelas terras da Beócia, corriam as águas do Cefiso, deus e rio.
Às suas margens, nenhuma ninfa podia andar em segurança, pois o insaciável Cefiso, tão logo as via, tratava de envolvê-las em sua torrente. Assim aconteceu com a bela ninfa Liríope. Num dia de verão, ela passeava despreocupada junto ao rio, quando as águas se ergueram, enlaçaram-na num abraço invencível e possuíram-na com repentina paixão.

Durante meses Liríope carregou dentro de si o fruto daquele amor indesejado. Sua vida, tão feliz e tranqüila , era agora feita de tristeza e cansaço, de lamento apenas murmurando pelas sombras dos bosques.

Entretanto, quando seu filho nasceu, o rosto de Liríope voltou a iluminar-se de intensa alegria. O menino que recebeu o nome de NARCISO era belo e gracioso, e certamente, ao crescer, se faria amado das deusas, de NINFAS e de mulheres mortais.

Ansiosa para saber se NARCISO viveria muito anos, a jovem procurou o cego TIRESIAS, advinho cuja fama começava então a ultrapassar as fronteiras da Beócia.

Sim, ele terá vida longa, respondeu-lhe o cego, desde que não se conheça nunca.

Ninguém entendeu o sentido destas palavras. E a obscura resposta caiu no mais completo esquecimento. Até o dia em que NARCISO, já adulto, deparou com sua própria imagem refletida na calma superfície de uma fonte. Enamorou-se perdidamente de si mesmo, que ali ficou, dias e dias a contemplar-se, deixando-se consumir pela fome, pela sede, pela solidão.

Aprendemos com Freud o seu conceito de NARCISISMO. No artigo sobre o NARCISISMO – UMA INTRODUÇÃO – ele diz inicialmente:

“As primeiras experiências de satisfação sexuais, auto-eróticas são experimentadas em relação com as funções vitais que servem a finalidade de auto-preservação”.

“....os primeiros objetos sexuais de uma criança são as pessoas que se preocupam com sua alimentação, cuidados e proteção; isto é, sua mãe ou quem quer que a substitua.”

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