O equilíbrio
corporal do ser humano depende das informações
oriundas da orelha interna (labirinto), da visão
e da somatocepção, que são receptores
sensoriais periféricos relacionados com a orientação
espacial. As informações colhidas são
processadas e organizadas no Sistema Nervoso Central
(SNC), que também se encarrega de controlar e
de planejar o ato motor, para que finalmente as execuções
motoras como a marcha e a postura, ocorram corretamente.
O funcionamento adequado do sistema vestibular periférico
(labirinto posterior e nervos vestibulares) e também
do sistema vestibular central (núcleos vestibulares),
vias e conexões do SNC pode ser comprometido
por diversas perturbações, entre elas,
infecciosas, inflamatórias, neoplásicas,
degenerativas, auto-imunes, vasculares, reumáticas,
hormonais, psicogênicas, genéticas, metabólicas,
iatrogênicas e posturais.
Esta pluralidade de causas confirma a relação
existente entre o sistema vestibular e outros sistemas
do organismo humano. Eis porque a tontura, um sintoma
vestibular, ocorre com tanta freqüência.
A tontura pode se manifestar como uma sensação
de flutuação, de cabeça oca, vertigem
(tontura giratória), de estar sendo atraído
para o solo (afundamento), entre outras queixas. Outros
sintomas são relatados ou verificados pelos clientes que sofrem com: vômitos, náuseas,
sudorese fria, mal estar, taquicardia, palidez, ansiedade,
medo, zumbido, distúrbios da audição,
cefaléia, dificuldade de concentração,
distúrbios de linguagem e quedas.
A intensidade, a freqüência, a duração
e a prevalência dos sintomas que acompanham as
vestibulopatias comprometem as atividades profissionais,
domésticas e sociais, trazem prejuízos
físicos, psicológicos e financeiros e
pioram a qualidade de vida da pessoa.
Nas últimas décadas, as pesquisas e o trabalho
no campo da otoneurologia, têm permitido aliviar o sofrimento
dos indivíduos, permitindo o pronto restabelecimento
do equilíbrio corporal, prevenindo o aparecimento
ou a recorrência dos quadros clínicos vestibulares
e, como conseqüência, a mais rápida
reintegração às atividades rotineiras.
Novos métodos propedêuticos foram desenvolvidos
e/ou aperfeiçoados para aprimorar o diagnóstico
e torná-lo o mais correto e precoce possível.
O procedimento ideal é a reunião dos recursos
disponíveis e cabíveis para cada caso
e a aplicação deles de forma personalizada.
O programa de reabilitação deverá
ser selecionado de acordo com o tipo de disfunção
vestibular identificado ao exame otoneurológico.
Os resultados da R.V. podem ser influenciados positivamente
por alguns fatores:
Idade (quanto mais jovem for o organismo, mais facilmente
haverá adaptação e compensação
vestibular).
Vontade (a participação ativa do paciente
promove resultados mais rápidos e efetivos);
Medicamentos (podem retardar ou acelerar a compensação
vestibular);
Estado psíquico (é mais fácil
compensar indivíduos psicologicamente estabilizados).
A Reabilitação Vestibular visa:
Estimular a estabilização visual durante
a movimentação cefálica.
Aumentar a interação vestibulovisual durante
a movimentação da cabeça.
Proporcionar maior estabilidade postural estática
e dinâmica nas situações de conflito
sensorial.
Diminuir a sensibilidade individual à movimentação
cefálica.
A melhora com a terapia parece estar ligada às
adaptações neurais multifatoriais, substituições
sensoriais, recuperação funcional dos
reflexos vestíbulo-ocular e vestíbulo-espinal,
condicionamento global, alteração do estilo
de vida e efeito psicológico positivo, com a recuperação
da segurança física e psíquica.
É muito importante que o cliente saiba que poderá
sentir tontura e outros sintomas vestibulares concomitantes,
geralmente de leve intensidade, ao longo da realização
de exercícios de RV, sem que isto represente
recorrência da crise ou piora de sua evolução
clínica. Aliás, essas tonturas são
mais comuns no início do tratamento e tendem
a desaparecer com a continuação dos exercícios
de RV.
Todas as pessoas, antes de iniciar um programa de R.V.,
devem ser avaliadas quanto a presença
de alterações físicas e/ou psíquicas
que possam contra-indicar os procedimentos, como por
exemplo, afecções da coluna vertebral,
especialmente da região cervical. Devem ser igualmente
alertados de que os cuidados médicos são
essenciais para a orientação diagnóstica
e terapêutica personalizada e de que nunca devem
tomar medicamento por conta própria.
O tratamento depende, portanto, do diagnóstico
e da identificação da causa específica
do distúrbio labiríntico. No entanto,
o tratamento exclusivamente da causa pode ser insuficiente
para a obtenção de resultados favoráveis.
A utilização conjunta de outros recursos
terapêuticos pode ser indispensável. Entre
estes recursos, incluem-se os medicamentos que podem
atenuar os sintomas e facilitar a compensação
do distúrbio labiríntico, os exercícios
de reabilitação do equilíbrio corporal,
a orientação nutricional para evitar
erros alimentares ou hábitos que podem ser importantes
fatores agravantes, a cirurgia e a psicoterapia.
Com o tratamento adequado, um número relevante
de pessoas tem obtido melhora expressiva ou cura de
seus distúrbios labirínticos. |